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Gestor de fundo que rendeu mais de 800% desde 2006 mostra que quem investe em bolsa após quedas de 35% obtém retornos extraordinários após três ou cinco anos.

Comprar na baixa

 

Interessante matéria da Exame.

 

São Paulo – Um estudo realizado pela gestora de recursos Bogari Capital mostra quão lucrativo pode ser comprar ações em períodos de pessimismo generalizado. O levantamento considerou os sete períodos em que a bolsa brasileira recuou 35% ou mais nos últimos 18 anos. Quem investiu em ações nessas oportunidades com a expectativa de colher lucros no longo prazo levou para casa um retorno médio de 105% após três anos e de 254% em cinco anos.

 

Flavio Sznajder, sócio da Bogari Capital, admite que rendimentos passados não são garantia de ganhos futuros e que o investidor que entra na bolsa hoje também pode ter decepções no curto prazo. Mas, para ele, seria ir contra a lógica não considerar que quem compra bolsa na baixa entra no mercado em um ponto mais próximo ao fundo do poço, corre menos riscos e pode embolsar ganhos maiores.

 

Em teoria, o investimento ótimo em ações consiste em comprar no patamar mais baixo do mercado e vender no pico. Na prática, entretanto, o gestor considera a execução disso impossível porque a humanidade não faz a menor ideia de quando a maré vai virar.

 

Ninguém sabe, por exemplo, se e quando os líderes europeus chegarão a algum acordo que garanta a solvência dos países excessivamente endividados e dos bancos entupidos de títulos públicos de Grécia, Portugal e Irlanda. Além disso, quando houver uma solução definitiva para os problemas europeus, é provável que muitos investidores já tenham se antecipado e que os melhores preços tenham ficado para trás.

 

A estratégia do fundo da Bogari Capital consiste em comprar ações aos pouquinhos, quando a bolsa cai muito e os preços se tornam atrativos demais para serem ignorados. A crença de que o mercado em algum momento voltará a subir tem rendido bons frutos. O fundo registrou, desde sua criação em novembro de 2006, um retorno de 883%, contra alta de apenas 41,5% do Ibovespa.

 

Sobre esse ponto, Sznajder chama a atenção para a importância da escolha de boas ações para ganhar dinheiro na bolsa. A economia brasileira tende a se desenvolver, as empresas devem continuar a se expandir, os preços das ações vão se beneficiar em algum momento, mas não é com qualquer papel que todo mundo vai enriquecer. Apesar de garantir uma carteira diversificada, o próprio investimento passivo em Ibovespa não tem sido uma boa opção para os investidores nos últimos anos. “Muitos fundos de ações têm conseguido bater consistentemente o índice”, diz.

 

Sznajder acredita que os investidores devem aproveitar os momentos de baixa não para comprar os papéis que mais caíram, mas para colocar na carteira as empresas que sofreram demais injustamente. Ele cita as ações dos bancos como exemplo. Atualmente o preço das instituições financeiras brasileiras tem sido influenciado pelo fluxo de recursos negativo.

 

Os investidores estrangeiros têm vendido ações de bancos no mundo inteiro devido ao temor de que as instituições voltem a enfrentar dificuldades em caso de moratória das dívidas de países europeus. Alguns dos bancos com melhor reputação no mundo têm sido negociados em bolsa por valores inferiores ao patrimônio líquido.

 

Esses mesmo investidores sabem que instituições como o Bradesco e o Itaú não têm exposição relevante à Europa e não correm os mesmos riscos. Entretanto, também não faz sentido para eles que os bancos brasileiros sejam negociados a duas vezes o patrimônio líquido ou mais em um momento como esse. Então as ações se depreciam.

 

Já no longo prazo, Sznajder diz que costuma haver uma convergência entre o preço de mercado e o valor intrínseco de uma ação. No caso do setor bancário, as instituições brasileiras não precisam se preocupar neste momento com o aumento da concorrência com os estrangeiros, já que eles podem estar correndo riscos demais lá fora para pisar no acelerador aqui.

 

Outras ações que o gestor considera em um momento interessante para a compra são Redecard, Cosan e Brasil Insurance. Para os investidores que não têm sangue frio suficiente para entrar na bolsa neste momento, Sznajder cita Benjamin Graham, o inventor da profissão de analista de investimentos e maior guru de Warren Buffett: “No curto prazo, as ações são avaliadas por sua popularidade, mas, no longo prazo, pela sua substância”.









mercado em baixa

Jornal Valor Econômico
Autor: Bruno Lembi
09/08/2011

 

Na avaliação da maioria dos investidores, a crise mundial se agravou sobremaneira nas últimas semanas e o fim do mundo se aproxima. Ao menos essa é a leitura de quem acompanha a oscilação dos principais índices de ações.

 

Neste momento, os investidores tendem a ficar absurdamente desconfortáveis, não perdem um noticiário sequer, ligam para os seus consultores. Buscam, enfim, algum conforto, alguma "palavra de salvação" diante do aparente "holocausto" que se avizinha.

 

Quando observo esses movimentos, sempre me pergunto por que as pessoas não conseguem seguir aquilo que estudam. Na bonança, repetem aos quatro cantos os preceitos de "comprar na baixa e vender na alta", mas não passam nem perto de colocar isso em prática durante a crise.

 

Por que não conseguem ver as realizações como grandes oportunidades? Por que ficam com medo? Medo de gastar metade para comprar a mesma quantidade de ações que, há poucas semanas, gastariam o dobro para comprar?

 

Ninguém ficaria com medo de comprar um carro zero avaliado em R$ 100 mil que foi colocado a venda por R$ 50 mil. Na verdade, se fizessem um negócio como esse provavelmente se vangloriariam. Por que não fazem o mesmo com as ações?

 

Talvez seja pelo fato de enxergarem a bolsa como uma espécie de cassino e não como um meio de se tornar efetivamente sócio de grandes empresas com excelentes históricos de sucesso.

 

Não fosse assim, por que as pessoas não se sentem angustiadas ao saber que o vizinho do andar de baixo vendeu seu apartamento 30% abaixo do seu valor de mercado? Por que, ao saberem de uma notícia como essa, não ligam para o seu corretor colocando o próprio imóvel à venda "antes que o mercado derreta"?

 

Exemplos como esses são simplistas, pueris, mas guardam muitas similaridades com as ações. Os movimentos são muito parecidos, mas têm efeitos completamente diferentes nas mentes das pessoas.

 

Meu envolvimento com o mercado de ações começou de forma mais efetiva em 1998. De lá pra cá, já vi e vivi muitas crises, e o movimento dos investidores foi sempre o mesmo. E foram muitas as crises: tigres asiáticos, Rússia, estouro da bolsa de tecnologia (Nasdaq), Argentina, subprime, zona do euro etc.

 

Sempre os mesmos movimentos de manada, sempre o mesmo desfecho. No meio do turbilhão, o mundo parece desabar e todos vendem as ações a qualquer preço. Depois, à medida que o mercado vai subindo e fazendo máxima atrás de máxima, as pessoas retornam ao mercado!

 

Nos momentos de alta, com o Ibovespa em recorde histórico, ninguém liga para o seu consultor, some o medo, não acham que a alta possa ser exagerada, que aquela empresa não vale o que estão pagando. E é nos momentos de euforia que me vêm as maiores dúvidas. Como é difícil vender. O papel está caro ou barato? Essa sim é uma análise complicada. Na bonança, os investidores ficam muito corajosos e o que é caro pode ficar ainda mais caro.

 

Por outro lado, momentos de pânico como o atual representam oportunidades excepcionais de investimento e aqui não tenho dúvida: ótimos negócios podem ser feitos! É muito mais fácil e confortável comprar um ativo que você conhece, analisou e sabe que está barato. Claro que esse ativo pode ficar ainda mais barato. Mas o desconforto de tê-lo em carteira durante esses movimentos de manada é nulo. Com o tempo o mercado sempre acerta essas assimetrias. As empresas têm valor. Os estoques, imóveis, maquinário, "know-how" não sumiram 30% de um dia para o outro só porque as ações despencaram.

 

Alguns investidores se perguntam o que fazer caso tenham comprado barato uma ação e, mesmo assim, o papel continue caindo por conta da crise. Aproveito esses movimentos para, gradativamente, aumentar minha exposição a ações.

 

Aliás, aqui cabe uma observação. Para continuar comprando o investidor precisa ser superavitário no seu orçamento. Isso significa que precisa gastar menos do que ganha. Essa é a premissa básica para enriquecer. Sem proceder dessa forma o investidor se vê de mãos atadas em momentos como este e não tem de onde tirar dinheiro para comprar barganhas. Não há mágica para quem não poupa e muito menos para quem gasta além do que recebe. Se algum leitor souber como ganhar dinheiro dessa forma, por favor, me escreva.

 

Por tudo isso, recordem-se do que leram e estudaram. Releiam os livros. Guardem artigos das crises passadas. Lembrem-se de que os movimentos se repetem e continuarão se repetindo no mundo capitalista. Não fiquem ansiosos, depressivos ou nervosos com os movimentos de baixa. Ao contrário, aproveitem-se deles! As grandes empresas do país estão em liquidação: preços com descontos de até 50%. Aproveitem que é por tempo limitado!









Jornal Valor Econômico
Gilberto Nagai
02/08/2011

 

comprar acoes

Ninguém discorda que uma das principais estratégias para quem quer fazer dinheiro em bolsa de valores é comprar na baixa e vender na alta. Na prática, porém, o que mais se vê é justamente o contrário.

 

A maioria das pessoas entra quando o mercado já está no pico, com pouco ou nenhum potencial de valorização, e evita as ações nos períodos de baixa. Esse comportamento é antigo e, por mais que os consultores e gestores orientem, não são muitos os investidores que se aventuram a entrar em momentos como o que estamos vivendo. Mas seria agora uma boa ocasião para aplicar em ações? A resposta é sim.

 

Apesar das perdas acumuladas no mercado de ações e do cenário indefinido, especialmente no exterior, a economia brasileira segue com fundamentos bastante sólidos, as empresas estão gerando lucros consistentes e o país continua a atrair capital estrangeiro.

 

A recomendação de se investir em ações deve, porém, levar em consideração algumas premissas. O primeiro ponto que deve ser analisado é o perfil do investidor. Em vários sites encontram-se testes que podem ajudar a identificar o perfil (conservador, moderado, arrojado ou agressivo) e sua propensão ao risco.

 

Por melhor que seja a perspectiva da bolsa, o mercado acionário é volátil e sujeito ao imponderável e nem todas as pessoas suportam essas características. Se for para comparar dia a dia a performance da bolsa com a de renda fixa e sofrer com isso, é melhor ficar fora. O investidor precisa ter consciência do risco que quer correr assim que começa a investir.

 

Depois do perfil, é preciso avaliar o horizonte do investimento. Para o dinheiro que será utilizado no curto prazo, daqui a poucos meses, o mercado de ações não é indicado. Com a trajetória de juros no Brasil em ritmo ascendente, o risco, especialmente neste momento, não compensa. Só se deve investir em renda variável quantias que serão utilizadas no médio e longo prazo (de preferência sem data definida de resgaste) e que não coloquem em risco a situação financeira.

 

Definido o perfil de risco e horizonte do investimento, determine que percentual do patrimônio será investido na bolsa e comece a comprar as ações gradativamente. Muitos me perguntam por que comprar gradativamente e não deixar para fazer isso quando a tendência de alta estiver mais definida. Simplesmente, porque é muito difícil encontrar o ponto de inflexão da bolsa, quando já chegou ao fundo do poço.

 

Como o mercado de renda variável é muito volátil, às vezes, em meio ao vaivém, a tendência se delineia e, quando o investidor percebe, já passou o ponto de comprar ou de vender. Comprar gradativamente permite que o investidor adquira as ações a um preço médio que, se não for o melhor, também não será o pior.

 

O mercado de ações oferece oportunidades fantásticas de lucro, mas nunca podemos nos esquecer da sua natureza de risco. Por mais que se tente, ninguém nunca consegue ganhar em 100% das vezes. O importante é manter sempre o investimento inicial que foi traçado e ter disciplina de permanecer fiel ao foco. Para o gestor, o grande desafio é convencer os investidores de que não se deve mudar muito a estratégia, diante de cenários negativos.

 

Outro ponto a destacar é a escolha das ações. Para quem não tem familiaridade ou tempo para acompanhar o mercado, o melhor é optar por um fundo de ações, em que uma equipe especializada estará focada só nisso. Se for para entrar diretamente no mercado, olhe com critério os fundamentos da empresa, as projeções para o seu setor de atuação e também o seu potencial de pagamento de dividendos (às vezes, a valorização da ação não é expressiva, mas a distribuição de dividendos compensa).

 

Hoje, nos segmentos de varejo, saúde, educação, há empresas com ótimas perspectivas de desempenho. E vale lembrar que quando o cenário é favorável para as ações a rentabilidade é superior aos investimentos em renda fixa e melhor do que a poupança.

 

E não se deixe contaminar pelo pessimismo das pessoas (e nem pela euforia, nos períodos de alta). Racionalidade, nesse mercado, é fundamental; a história mostra que o mercado funciona em ciclos. Todo período de baixa é seguido por uma temporada de valorização – e vice-versa. O que varia é o tempo em que isso acontece.









Encontrei um artigo muito sucinto sobre a ansiedade dos investidores no mercado de ações. Como que a ganância pode induzí-lo ao erro. Saber controlar suas emoções é primordial na hora de saber parar.

Artigo de Carla Falcão e Olivia Alonso, do IG. Segue abaixo o artigo:

Ganância

Cenário um: você investiu nas ações de uma determinada companhia e, em poucas semanas, a chamada sorte de principiante trouxe inesperados ganhos extraordinários. Diante de rendimentos tão atrativos, você hesita entre manter o investimento por mais tempo (e ganhar mais) ou vender as ações e embolsar o lucro antes que algo aconteça e o dinheiro evapore. Cenário dois: logo após comprar os papéis de uma empresa, as ações começaram a cair sistematicamente todos os dias. Em dúvida, você não sabe se vende logo tudo para evitar um prejuízo maior ou se espera alguma possível recuperação.

 

Investidor deve aprender a controlar ansiedade em momentos de crise
Seja ganhando ou perdendo mais do que o esperado, o investidor iniciante descobre rápido que controlar o estado emocional é um dos maiores desafios de quem aposta na bolsa de valores. “Aprender a lidar com a ansiedade é imprescindível para quem quer investir em renda variável, até porque o próprio nome do investimento já diz: a renda pode variar”, afirma o investidor e autor do livro "Os Supersinais da Análise Técnica", Carlos Martins.

 

Consultores e analistas aconselham os investidores a controlar não apenas a ansiedade, mas também a ganância. Sobretudo, quando o retorno é rápido e alto. Sem disciplina e foco, a pessoa fica tentada a vender tudo que tem e aplicar na Bolsa quando se depara com a primeira valorização significativa dos papéis nos quais apostou. A ganância, diz Martins, leva o investidor a fazer operações cada vez mais arriscadas na tentativa de multiplicar o capital inicial.

 

“Existe uma diferença entre rentabilizar e multiplicar o capital investido. Bolsa não é cassino ou loteria, em que você aposta um real e ganha um milhão. Os lucros estarão de acordo com os valores investidos. Não existe milagre”, afirma.

 

Gerente de renda variável da corretora TOV, Pedro Alceu Cardoso é objetivo ao falar sobre as alternativas de realizar lucros e prejuízos ou de manter a posição de investimento a despeito das oscilações do mercado. “Quem sabe do seu dinheiro é você mesmo”.

 

Ele acredita que, apesar de os analistas reforçarem que as apostas em ações devem ser feitas tendo-se em vista um horizonte de longo prazo, os investidores não precisam ficar presos a esse conceito. “Se os ganhos foram expressivos, vale vender algumas ações e realizar parte dos lucros. Os recursos podem ser aplicados em renda fixa ou até mesmo serem utilizados na compra de outros papéis da bolsa. Afinal, o lucro só é real quando se vende a ação”, diz.









Recentemente foi lançado nos EUA o novo livro de Burton Malkiel, autor do best-seller  "A Random Walk Down Wall Street", publicado nos anos 70.

Carteira Vazia

Alguns trechos deste novo livro de Malkiel, chamado de "The Elements of Investing",  foram publicadoa na Money Magazine, que é um periódico pertencente a CNN.

 

"A conclusão aparente é que a melhor tentativa de bater o mercado é, na visão dos autores, “ganhar não perdendo”. Ou seja, combatendo desvios comuns de comportamento e estratégia que acabam pesando sobre os resultados do investidor.

 

No saldo dos “seis principais erros de investimento” retirados do livro pela Money Magazine, nota-se grande participação de objetos de estudo das finanças comportamentais, sugerindo que a abordagem, para muitos alternativa, é tratada pelos autores como complementar à hipótese de racionalidade dos mercados."  Disse Roberto Althenhofen Pires Pereira, da InfoMoney.

 

A seguir resumiremos esses 6 erros do investidor, segundo o livro de Maikiel:

 

1) Overconfidence
“Nos anos recentes, um grupo de psicólogos e financistas criou o importante campo das finanças comportamentais. Sua pesquisa mostra que não somos sempre racionais. Tendemos ao excesso de confiança. Se conseguimos um investimento de sucesso, confundimos sorte com habilidade”.

 

Overconfidence, assim como casos de aversão mais extrema ao risco, são as situações em que o contexto acaba deturpando a percepção individual. Geralmente, cada investidor responde de diferentes maneiras quando exposto à possibilidade de lucro ou à ameaça de perda. Grosso modo, a tendência é dos movimentos de alta tornarem o indivíduo confiante demais, enquanto os momentos de baixa geralmente acarretam em cautela exacerbada.

 

Para errar menos
Os autores recorrem à estratégia “prudente” do buy and hold – de comprar e segurar visando retornos de longo prazo – com um portfólio diversificado. Como argumento, utilizam o tênis amador: em partidas que envolvem dois praticantes não-profissionais, geralmente aquele que apenas devolve a bola tende a ganhar, uma vez que o jogador que tenta jogadas elaboradas por diversas vezes corre muito mais risco e costuma errar bem mais.

 

2) Efeito Manada
“As pessoas sentem segurança em números”. Recorrendo ao tópico anterior, os momentos de maior confiança do mercado acabam fomentando euforia. Neste contexto, os autores citam casos de um “investimento da moda”, aquele que está em evidência no momento. Este tipo de investimento inevitavelmente costuma obter sucesso à primeira vista, porque faz parte do caráter do ser humano se sentir mais confortável seguindo as decisões de um grupo, o que aumenta a procura pelo ativo em evidência.

 

Fora da realidade dos mercados, um bom exemplo são os protestos ou mesmo as torcidas de futebol. Sem companhia, é difícil encontrar um indivíduo disposto a sair pintado pela rua, ou com megafone defendendo algum ideal. Como também é difícil encontrar alguém, sozinho, vestido completamente com trajes de seu time cantando alto pela rua ou na frente de um estádio. No entanto, quando aglomerados, os indivíduos costumam perder a vergonha em fazer este tipo de coisa; se sentem confortáveis a seguir o que um grupo de pessoas está fazendo.

 

Traços comportamentais como este são evidentes no movimento dos mercados, em que é mais difícil para um investidor ir contra a corrente. O fluxo elevado em alguma direção também é argumento para seguí-la. No entanto, quando potencializados, estes movimentos costumam acarretar exageros, desvios de precificação que podem culminar na formação de bolhas.

 

Para errar menos
“Não são os preços de hoje e nem os preços daqui a um ano que importam; é o preço que você consegue no momento que você vende. Para alguns investidores, este momento é na aposentadoria. Não deixe as multidões te enganarem pela exuberância ou pela agonia. Lembre do velho conselho, ‘isto tudo deve passar’”.

 

3) Timing de Mercado
Ter o timing exato do mercado costuma fazer grande diferença nos investimentos. No entanto, a tentativa de adivinhar picos e fundos do poço costuma ser viesada. Ou seja, características como as citadas nos dois tópicos anteriores acabam penalizando o investidor que tenta projetar o momento certo de entrada e saída em uma ação ou na bolsa como um todo.

 

Isto porque o excesso de confiança, por exemplo, pode alimentar desvios de precificação e estender alguma tendência de alta. Ou então uma situação de manada abreviar um movimento ascendente pelo estouro de uma bolha, e assim por diante. No livro, Ellis e Malkiel citam que um investidor buy and holder ganhou em média 9,6% ao ano. No entanto, as estimativas costumam pegar um momento aleatório de tempo (no caso, o começo e o fim do ano).

 

Segundo estudos apresentados no livro, a busca pelo timing exato de mercado acaba deturpando em 2 pontos percentuais, no mínimo, a média deste retornos. Isto porque as entradas costumam ser observadas com maior frequência próximas dos topos, enquanto as saídas de capital se revelam em maior ocorrência em períodos próximos dos fundos.

 

Para errar menos
Outro argumento utilizado pelos autores em prol da estratégia de buy and hold.

 

4) Acreditar que tem mais controle do que realmente tem
O caso de overconfidence evidencia o excesso de otimismo que as tendências de alta acabam alimentando. Há também os casos de excesso de confiança no julgamento, em que o investidor acredita que não há ninguém melhor do que ele mesmo para administrar determinada situação.

 

“Isto pode levar o investidor a supervalorizar (ou se apegar a) uma ação de seu portfólio. Também pode levá-lo a imaginar uma tendência que não existe ou que pode identificar um padrão em um gráfico e prever o movimento futuro.”

 

Qualquer padrão de comportamento é questionado pelos autores, que utilizam o tradicional rali de final de ano das ações como argumento. Historicamente, as bolsas apresentam maior fôlego nas viradas de ano, seja pela busca dos gestores para melhorar a rentabilidade de seus portfólios, por um sentimento de maior otimismo, ou por ser um período que costuma movimentar mais dinheiro na economia (no caso brasileiro, pelo pagamento do décimo terceiro salário, por exemplo).

 

Para errar menos
No entanto, Malkiel e Ellis argumentam que “qualquer padrão aparente no mercado não deve durar enquanto tiver gente que tentará explorá-lo”. Assim, se a tendência é de rali a partir do Natal, os investidores tentarão entrar um pouco antes para se aproveitar dele. No ano seguinte, a tentativa é de um grande número de participantes antecipar um pouco mais estes dois dias, e assim por diante. Neste caso, a tendência é do padrão de comportamento se espalhar, ser cada vez mais antecipado, e se dissipar com o tempo.

 

5) Custos muito Altos
Neste tópico, a ideia levantada pelos autores é bem simples. Como a mídia passa o ano inteiro fazendo levantamentos e premiações para “o” gestor, ou aquele que obteve os melhores rendimentos em determinado período, a tendência é de ele cobrar mais para administrar seu portfólio após resultados acima da média.

 

Sendo assim, se hipoteticamente ele obteve um retorno 3 pontos percentuais acima da média de seus concorrentes e passa a cobrar taxa de administração de 5% ao ano, enquanto os outros cobram por volta de 2,5%, sempre há que se ponderar esta diferença. E ainda, performance passada não é garantia de desempenho futuro.

 

Para errar menos
O livro recomenda algo sempre defendido pelo chefe de Malkiel no Vanguard Group, John Bogle: Não passe uma vida pesquisando qual fundo ‘daquele’ gestor. Compre um de baixo custo.

 

6) Confiar nos Corretores
“O verdadeiro trabalho de um corretor de ações não é ganhar dinheiro para você, mas ganhar dinheiro com você”.

 

Para errar menos
“Não pule de ação em ação ou de fundo em fundo como se estivesse escolhendo e descartando cartas em um jogo. Você estará impulsionando seus gastos com comissão.”

 







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